Escoliose na infância: conheça os tipos
O que é escoliose?
A escoliose é um desvio da coluna para o lado, acompanhado de uma rotação das vértebras. Vista de costas, a coluna deixa de ser reta e forma uma curva em “C” ou em “S”.

Coluna normal, escoliose em C e escoliose em S, vistas de costas
Ela não é uma doença contagiosa nem causada por mochila pesada ou má postura. Na maioria das crianças, a escoliose não dói. Por isso, muitas vezes quem percebe primeiro são os pais, ao notar um ombro ou um quadril mais alto que o outro.
A boa notícia: quando descoberta cedo, a escoliose pode ser acompanhada de perto e, se necessário, tratada antes de piorar. A maioria das crianças com escoliose leva uma vida normal e ativa.
Quais são os tipos de escoliose nas crianças?
A escoliose é dividida em grupos, conforme a causa. Conhecer o tipo ajuda a entender o que esperar e qual o melhor cuidado.
1. Escoliose idiopática (a mais comum)
“Idiopática” quer dizer que não há uma causa definida. É o tipo mais frequente: cerca de 8 em cada 10 casos. Parece haver influência genética, e é comum haver outros casos na família.
Ela recebe nomes diferentes conforme a idade em que aparece:
Tipo Idade em que aparece O que saber
Infantil Do nascimento aos 3 anos Rara (menos de 1% dos casos). Mais comum em meninos. Muitas curvas desaparecem sozinhas, mas algumas pioram e precisam de tratamento cedo.
Juvenil Dos 3 aos 9 anos Cerca de 12 a 20% dos casos. Como a criança ainda vai crescer muito, a curva tem mais chance de aumentar.
Do adolescente Dos 10 aos 18 anos A mais comum (cerca de 80%). Atinge 2 a 3% dos jovens, mais as meninas. Costuma aparecer no estirão de crescimento.

Linha do tempo: escoliose idiopática infantil, juvenil e do adolescente
2. Escoliose congênita
Já nasce com a criança. Durante a gestação, geralmente entre a 3ª e a 8ª semana, uma ou mais vértebras se formam de modo incompleto (como as “hemivértebras”) ou ficam grudadas umas nas outras. Essas crianças também devem ter o coração e os rins avaliados, pois podem existir outras alterações associadas.

Coluna normal comparada a uma coluna com hemivértebra
3. Escoliose neuromuscular
Acontece em crianças com doenças que afetam os nervos ou os músculos, como paralisia cerebral, distrofia muscular, mielomeningocele (espinha bífida) ou lesões da medula. A coluna costuma formar uma curva longa em “C”, que tende a piorar com o crescimento.
4. Escoliose sindrômica
Faz parte de síndromes genéticas, como a síndrome de Marfan, a síndrome de Ehlers-Danlos, a neurofibromatose e a osteogênese imperfeita. A curva pode surgir cedo e aumentar com o crescimento, por isso o acompanhamento é feito em conjunto com outros especialistas.
E a “escoliose postural”?
Nem toda coluna torta é escoliose verdadeira. Na escoliose postural (ou funcional), o desvio vem de uma postura inadequada ou de uma perna um pouco mais curta. As vértebras não estão rodadas e a curva some quando a criança se inclina para a frente ou deita. Ela não tem a mesma gravidade, mas também merece avaliação para confirmar o diagnóstico.
Como os pais podem perceber?
Como a escoliose costuma não doer, observar as costas da criança é a melhor forma de descobrir cedo. Com a criança de pé, relaxada e sem camiseta, veja se há:
• Um ombro mais alto que o outro
• Uma escápula (“asa” das costas) mais saliente
• A cintura com formato diferente de um lado para o outro
• Um lado do quadril mais alto
• O corpo inclinado para um dos lados

Sinais de alerta da escoliose nas costas da criança
O teste de Adams: um minuto em casa
1. Peça para a criança ficar de pé, com os pés juntos e os joelhos esticados.
2. Ela deve inclinar o tronco para a frente, com os braços soltos e as mãos juntas, como se fosse tocar os pés.
3. Olhe as costas por trás, na altura dos olhos.
4. Se um lado das costas ficar mais alto que o outro, formando uma pequena “corcova” (giba), isso é um sinal de alerta.

Como fazer o teste de Adams e o que observar
O teste não fecha o diagnóstico, mas indica que é hora de procurar um ortopedista. Filhos de pais com escoliose merecem atenção redobrada, pois a condição pode ocorrer em famílias.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
O ortopedista examina a criança e pede uma radiografia da coluna inteira, feita em pé. Nela, mede-se o tamanho da curva em graus (o chamado ângulo de Cobb). Fala-se em escoliose quando a curva passa de 10 graus. Em crianças pequenas, às vezes também é pedida uma ressonância magnética.
O tratamento depende do tipo de escoliose, da idade, do tamanho da curva e de quanto a criança ainda vai crescer. De modo geral:
Tamanho da curva Conduta mais comum
10 a 20 graus Observação, com consultas e radiografias periódicas
20 a 40 graus Tratamento com colete ortopédico, dicussão de tratamento sem cirurgia
Acima de 45 a 50 graus Avaliação para cirurgia
Algumas observações importantes:
• O colete não “endireita” a coluna: ele serve para frear a piora enquanto a criança cresce.
• Em bebês com escoliose idiopática infantil, gessos corretivos trocados periodicamente podem corrigir a curva.
• Nas formas congênita e neuromuscular, o colete costuma ter pouco efeito, e o acompanhamento é mais próximo.
• Em crianças pequenas que precisam de cirurgia, existem hastes de crescimento, que são alongadas conforme a criança cresce.
• Menos de 10% dos adolescentes com escoliose idiopática precisam de cirurgia.
Cada caso é único. Só a avaliação do especialista define o melhor caminho para o seu filho.
Wilson Lino Junior







